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sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Tênis além do Guga

Acho que falo muito sobre o esporte “tênis”. Falo mais do que jogo. Mas escrevo muito menos do que falo e jogo.Vou tratar de melhorar essa equação um pouco hoje. O Brasil é o país do futebol. Que é meu segundo esporte na ordem de preferência. Dependendo dos títulos do Atlético-MG, ele passa o tênis e sobe para a primeira posição. Ou seja, gosto mais de futebol antes de começar o Brasileiro, recentemente. Porém, bem antes do Guga surgir, acompanho este esporte com lupa. Mais de perto a partir de 1980, quando comecei a praticá-lo, e o fiz de forma séria e concentrada por 7 anos.Depois vi que não seria um Jimmy Connors e fui tentar outras coisas.

Um amigo meu bem mais futeboleiro que amante do esporte da bolinha amarela costuma dizer que o atual melhor brasileiro no ranking do tênis mundial, Thomas Bellucci, atual 30º. do mundo, é o Rubinho Barrichello do tênis.Isso porque ele sempre ganha duas partidas e perde na terceira. Ou luta muito, mas perde em uma segunda rodada. Este meu amigo compara os resultados do tênis aos da Fórmula 1. Mas compara principalmente a postura do Bellucci a do Barrichello, do quase lá, do muito competente mas poucas vezes vencedor. Por discordar dele em algumas afirmações, relembrei como era o rol de ídolos brasileiros do tênis que tínhamos antes de Guga. Fui buscar lá na época do meu começo na prática do esporte. 1980. Lembrei da vitória sobre o legendário e genial John McEnroe do Carlos Kirmayr, nosso tenista com cílios tão loiros que mal conseguimos enxergar o resto de sua face. Nosso esporte vivia de conquistas esporádicas, pontuais. Kirmayr chegou a ficar entre os 40 melhores do mundo. Não vou falar de Thomas Koch, pois não acompanhei sua carreira, que nasceu um pouco antes da minha existência se iniciar. Depois do Cílios Loiros, veio de forma mais marcante Luís Mattar, que conseguiu um lugar entre os 30 melhores. Elegância em quadra, muita sobriedade, golpes bonitos, mas muito sério. Levou esta seriedade ao mundo dos negócios, e pelos meus cálculos, pode estar 12 mil reais mais rico desde o momento em que comecei a escrever esta coluna. Seu parceiro de duplas nas quadras, Cássio Motta, seguiu o mesmo caminho, e depois de ser a versão Gornaldo das quadras de tênis, resolveu engordar a carteira de forma mais consistente.

Depois destes personagens e histórias, veio o Guga. Aí é fácil separar dois grupos de fãs de tênis no Brasil. Os que agora só aceitam como vencedor no tênis brasileiro um novo Guga, ou seja, número 1 do ranking mundial. Estes são do grupo pós-Guga.E aqueles que automaticamente exaltam um tenista brasileiro entre os 100 melhores do mundo.Estes são os dinossáuricos admiradores do tênis pré-Guga. Para que estes dois grupos não passem a concordar com aquela comparação do Bellucci ao Rubinho, nosso tenista número 1 contratou o treinador e amigão do Guga, o já mito Larri Passos. Pois se existe uma falha que pode ser corrigida por Larri no jogo do Bellucci é sua capacidade de acreditar em seu jogo até o final. Isso Guga tinha como ninguém. E por isso é tão difícil criar uma forma de bolo: pegue uma confederação de tênis, abra centros de treinamento no Brasil todo e pronto, novos Gugas surgirão. Falta jogá-los por meses a fio nos campeonatos suados na Europa, com pouco dinheiro no bolso, sem valer ligar chorando para a mamãe no segundo mês. Por isso os argentinos conseguem mais êxito neste esporte que nós, brasileiros apegados ao colinho. Por isso, meu amigo vai continuar chamando nosso tenista top de Rubinho. Enquanto discordo dele, vou ali encher meu balde de pipoca para mais uma noite de pouco sono, para acompanhar o Aberto da Austrália, que termina neste Domingo. Se você quiser acompanhar, sintonize na ESPN, geralmente a partir das 22 horas. Ah, o Bellucci já perdeu.


*coluna originalmente publicada no Jornal Interação de Araxá, em 28/1/2011

sábado, 9 de agosto de 2008

Luiz Mattar em Roland Garros


Acho muito interessante acompanhar de onde vêm as visitas do Chotensu.
Vi que teve uma busca por Luiz Mattar em Roland Garros.
Como eu não havia falado precisamente sobre isso, falo agora.
O grande tenista brasileiro Luiz Mattar jogou Roland Garros por nove vezes, entre os anos de 1986 e 1994.
Jogou 15 partidas no aberto francês, com 6 vitórias e 9 derrotas.
A melhor participação dele foi em 1986, logo em sua primeira participação, quando atingiu a terceira rodada. Ganhou do ex-marido de Chris Evert, o britânico John Lloyd, na primeira rodada, por 3 sets a 1, parciais de 5x7, 7x5, 6x1 e 6x4.Lloyd era o número 45 na época, ou seja, boa vitória pra começar. Na segunda rodada, ganhou do australiano John Fitzgerald, que na época era o número 123 do ranking, mas que teve seu melhor ranking um 25o. Além disso, chegou a ser número 1 do mundo nas duplas, quando teve uma bem-sucedida dupla com o sueco Andres Jarryd.
E na terceira rodada, Luiz Mattar finalmente perdeu do sul-africano naturalizado americano Johan Kriek. Perdeu em 5 sets, parciais de 4x6, 4x6, 6x3, 6x2 e 3x6.
Neste ano de 1986, Johan Kriek continuou sua saga até perder do gênio Ivan Lendl, ex-número 1 do mundo, nas semifinais.
Além de sua melhor performance em 1986, acredito que seu maior momento em Roland Garros foi a vitória sobre o francês irreverente Yannick Noah, campeão em Roland Garros em 1983.
Esta vitória aconteceu em 1989, quando Luiz Mattar ganhou por 3 sets a 1, parciais de 7x6, 6x4, 6x7 e 6x4.
Já nas duplas, Luiz Mattar jogou 8 Roland Garros, entre 1986 e 1993.
Mattar era um bom duplista, e isso fica demonstrado em sua performance em Roland Garros, que nas duplas foi melhor no geral que em simples.
Ele jogou 14 vezes, com 6 vitórias e 8 derrotas.
42,85% de aproveitamento nas duplas, contra 40% de aproveitamento nas simples.
Chegou á terceira rodada por 3 vezes, com 3 parceiros diferentes ( quanto 3!!!): o brasileiro Nelson Aerts em 1986, o uruguaio Diego Perez em 1990, e o brasileiro Jaime Oncins, em 1993.

Além dos fatos de Roland Garros, Luiz Mattar teve seu ápice no ranking da ATP no dia 1o. de Maio de 1989, quando atingiu o 29o. lugar. Um dia que tem tudo a ver com este tenista, que pode ser considerado um grande trabalhador do tênis, tendo misturado seu talento com muito esforço e foco. Quem o via jogar percebia um grande foco, grande seriedade no jogo do tênis. Ele não era de muitas firulas e gracinhas, mas era um gentleman nas quadras. Eu diria até que, em termos de postura, foi o Roger Federer brasileiro.
Foram 7 títulos de ATP na carreira: foi Tricampeão em Guarujá, de 1987 a 1989, Bicampeão no Rio de Janeiro em 1989 e 1990 e Campeão em São Paulo-1992 e Coral Springs-1992, seu único título no exterior.
Nas duplas chegou ao ápice em 7 de Janeiro de 1991, quando atingiu o 55o. lugar no ranking da ATP.
Foram 5 títulos de ATP, e aqui ele conquistou a maioria no exterior. Foi campeão de Geneva-1987 e Guarujá-1987.Ganhou em Wellington-1991, Florença-1992 e Montevideo-1994, este que foi no geral seu último título na ATP.
Teve uma grande dominância entre os brasileiros durante o tempo que jogou.
Seu 29. lugar no ranking da ATP é a 4a. melhor marca de um brasileiro na história. Além dele, apenas Guga, com o número 1 por 43 semanas, Thomaz Koch com o 24o. ( e não mais porque a ATP não media o ranking no seu ápice) em 1974 e Fernando Meligeni, com o 25o. em 1999.

Por tudo isso, obrigado Luiz Mattar, o Mister Brasil, pela sua carreira!